Com apoio de Steve Ballmer, Gates tentou comprar ações de Allen: Allen comenta

Paul Allen costuma ser pintado como um homem discreto. Tem gente que até hoje não sabe que ele fundou, junto com Bill Gates, uma empresa quase desimportante chamada Microsoft. Até agora ele ficou quieto sobre a ascensão ao poder de uma das maiores empresas do mundo, mas parece que chegou o momento de falar. E isso pode não agradar seu parceiro Gates.

“Idea Man”: livro contém essas e outras histórias

 

Em um livro cujo lançamento está previsto para meados de abril nos Estados Unidos, Allen conta que ninguém menos que Bill Gates tentou tirá-lo da empresa que ajudou a fundar. Lá em 1982, apenas sete anos depois da MS vir ao mundo, Allen enfrentava um câncer que o fez se afastar de suas funções na empresa.

Não é que ele ouviu uma nada agradável conversa entre Gates e Steve Ballmer, o atual CEO da Microsoft? Paul Allen conta em “Idea Man” que os dois executivos estavam discutindo maneiras de diminuir a sua importância na empresa. Queriam que as ações de Allen se tornassem opção de compra para outros funcionários, preferencialmente aqueles que continuassem a trabalhar diariamente na companhia.

Allen, que estava iniciando seu retorno à Microsoft, não gostou muito do que ouviu. Tempos depois, Gates e Ballmer pediram as devidas desculpas e deram esse episódio por encerrado.

Mas não termina por aí. Em outro momento, Bill Gates fez uma proposta para comprar as ações de Allen. O magnata pretendia pagar 5 dólares por ação, o que fez Allen desistir do negócio. O que Gates não sabe é que Allen aceitaria receber 10 dólares por ação. Caso o negócio fosse concretizado, o Gates controlaria uma parte ainda maior da empresa e estaria ainda mais rico.

Enquanto isso, Paul Allen viraria um Eduardo Saverin da vida. Em vez de vislumbrar o futuro, vende suas ações por um preço inferior ao que está por vir.

Com informações: Yahoo News.

Fonte:Tecnoblog

Especial: Bill Gates

Apesar de ter tido inúmeras decepções , sou um grandíssimo fã Microsoft, e coloco aqui essa matéria especial (fonte: Tiago Doria) sobre o Bill Gates, um Homem 3 em 1.

Sonhador, homem de negócios e “filho da puta”. Assim o escritor e consultor Des DearLove ajudou a definir Bill Gates, cofundador da Microsoft, no final dos anos 90.

Há motivos para essa descrição. Diz um ditado que toda empresa para ser bem sucedida precisa de 3 tipos de homens – um sonhador, um homem de negócios e um “filho da puta”. Segundo Dearlove, ex-editor do Times, de Londres, Gates é um dos poucos executivos que possui essas três qualidades.

A terceira qualidade, claro, não é no sentido puramente pejorativo, mas relacionada a ser um homem sagaz, impetuoso, concorrente feroz e viciado em vencer, sempre. Essas qualidades do cofundador da Microsoft são exploradas no livro “O estilo Bill Gates de gerir” (216 páginas), de Dearlove, que chega em reedição ao público brasileiro neste mês (a primeira edição foi lançada em 2000).

O lado sonhador de Gates vem do fato de ser apaixonado por computadores e assumir uma posição visionária e não tanto de estrategista na empresa. De saber adaptar e popularizar tecnologias existentes para um contexto maior. A Microsoft não inventou o sistema operacional DOS, mas soube aperfeiçoá-lo.

O lado de homem de negócios de Gates se reflete no pragmatismo de sempre contratar gente inteligente, mesmo que essa pessoa saiba mais do que ele ou tenha sido um antigo desafeto. Tudo isso casado com uma atitude de não esperar agradecimentos, ciente de que não agradará a todos.

Ser famoso e, ao mesmo tempo, infame são duas coisas intimimamente ligadas na visão de Gates, o que o coloca entre os “bichos-papões corporativos”, onde já estão John Rockefeller e JP Morgan, que, em suas respectivas épocas, foram vistos como geniais e, ao mesmo tempo, como “anti-cristos”, ao passearem na linha tênue sobre o que é ou não é permitido, sobre limites no mundo dos negócios.

No campo comportamental, antes da “Era Google” e de geek isso e aquilo, Gates mostrou que ser nerd é legal. Foi ele quem abriu as portas para o que hoje é visto como normal e bacana – ‘”nerd chique”. Do executivo estilo John Wayne (sorte, pé no chão e coragem) para o estilo Gates (criatividade, conhecimento e ser visionário).

Antes de Gates, “a América corporativa não gostava dos nerds”, sentencia DearLove. E junto com os nerds veio um estilo despojado, blasé e menos hieráquico de trabalhar (você não “precisa mais trabalhar de terno e gravata”), que, durante duas décadas, Gates melhor personificou. E que, claro, abriu espaço para que o atual “estilo de ser Google” fosse facilmente aceito no meio corporativo.

“Quando ele apareceu, pensei que era o office boy”, teria tido Jack Sams, executivo da IBM que assinara o contrato com a recém lançada Microsoft, em 1981. Acordo que é visto por Dearlove como um dos grandes triunfos da visão de Gates.

Visão que, no entanto, não conseguiu perceber o quanto a internet tornaria os computadores mais relevantes para as pessoas comuns (a Microsoft entrou atrasada na internet). As pedras ainda estão rolando, mas, sem querer, Dearlove aponta que uma das deficiências da Microsoft foi ter caído no erro  da “previsão singular”. Numa empresa, as conversas sobre o futuro não podem ser feitas pelas mesmas pessoas falando das mesmas coisas. E a visão da Microsoft quase sempre foi a de Gates.

O lado ruim do livro de Dearlove é que ele chega meio desatualizado ao público brasileiro, mesmo problema do livro de Andrew Keen. Para se ter uma noção, a primeira edição foi publicada em 1999, com uma consequente reedição em 2001. O livro que chega ao Brasil tem como base essa última edição.

Em um trecho, por exemplo, o autor fala sobre “o recém-lançado Windows XP”, enquanto, na realidade, estamos na “Era do Windows Vista” e já caminhando para o Windows 7. Questões como a concorrência com a Google ou a saída de Gates do dia-a-dia da Microsoft não têm espaço.

O livro foi escrito no contexto em que Gates ainda era diretor geral e presidente da Microsoft e a companhia era considerada a maior da América, valendo US$ 262 bilhões, além de ainda ser vista como uma empresa prodígio – jovem, vigorosa e petulante (posto que hoje é da Google).

O estilo Bill Gates de gerir” não é o melhor livro sobre a Microsoft ou o cofundador dela (The Microsoft Way, de Randall E. Stross é bem mais completo), mas é um dos mais concisos.

Em cada capítulo, Dearlove deixa um box com todas as ideias exploradas no texto. E ainda no final do livro faz um resumo das “10 lições que se pode tirar do livro”. O que o faz ser um dos mais didáticos sobre o assunto em português.